terça-feira, 10 de maio de 2011

Eclipse


Ele era mais que só meu amigo.Ele estava em todo lugar. A penetrante luz do sol deixou as minhas pálpebras vermelhas,e a cor se ajustava, combinava com o calor. O calor estava em todo lugar. Eu não podia ver ou ouvir ou sentir outra coisa que não fosse Jacob.A pequena parte do meu cérebro que retinha a sanidade gritava perguntas pra mim.Porque eu não estava parando isso? Pior que isso, porque eu não podia encontrar em mim mesma nem o desejo de querer pará-lo? O que significava eu não querer que ele parasse? Que as minhas mãos estavam agarrando os ombros dele, e que elas gostavam que eles fossem largos e fortes? Que as mãos dele me puxassem com tanta força contra ele, e mesmo assim isso não era o suficiente pra mim?As perguntas eram estúpidas, porque eu sabia a resposta: eu estive mentindo pra mim mesma.Jacob estava certo. Ele esteve certo o tempo inteiro.Ele era mais que só meu amigo. Era por isso que era tão impossível dizer adeus a ele- porque eu estava apaixonada por ele.Também. Eu o amava, muito mais do que devia,e no entanto ainda não era o bastante.Eu estava apaixonada por ele, mas não era suficiente para mudar nada;era só o bastante para magoar a nós dois. Para magoá-lo ainda mais do que eu fizera.
Eu não podia me importar mais do que... do que com sua dor. Eu merecia mesmo qualquer dor que ele me provocasse. Tive esperanças de que fosse ruim. Esperava de fato sofrer.
Nesse momento, senti como se fôssemos a mesma pessoa. A dor dele sempre foi e sempre seria a minha dor- agora a alegria dele era a minha alegria. Eu também me senti alegre, e  ainda assim a felicidade dele, de certo modo, também era dor. 

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